sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Amber - Ce soir, je serai la plus belle, pour aller danser.

4 de setembro de 1938
Em algum lugar perto da Suíça...

A festa de casamento de Alice Briegel foi pequena, mas incrivelmente divertida. Era um salão de festas pequeno, já que não haviam muitos convidados. Alice praticamente só tinha uns três convidados: eu, seu pai e o senhor Schultz. Já Max tinha muitos convidados, grande parte da sua família estava lá. Era em festas como aquelas que eu tinha noção exata de que era tolice generalizar todo o povo alemão daquela época. Haviam sim muitas pessoas que resistiam aqueles pensamentos retrógrados de Adolf Hitler. Uma minoria que a cada dia ia crescendo, em um silêncio ensurdecedor, que desafiava o autoritarismo e a restrição de liberdade de opinião impostas. Algo dentro de mim já naquele momento me dizia que de alguma forma eles seriam os responsáveis pra devolver a liberdade aquele país, cedo ou tarde.

Alice estava encantadora de noiva! Ela vestia um lindo vestido branco com uma calda. Ele cobria os ombros e tinham muitos babados, parecia alguém da realeza. Seu cabelo estava ricamente adornado com uma grinalda, e ela dançava e sorria como nunca ao lado do Max, que também estava muito feliz naquele dia. Eu estava sentada numa mesa, vendo todos dançando, sozinha, só observando.

“Olha, podem falar o que quiser desse cara, mas só alguém muito corajoso pra casar desempregado e sem um tostão no bolso!”, disse uma voz atrás de mim.

Na hora que virei, vi que era o senhor Schultz.

“Senhor Schultz!”, eu disse, na hora que vi que era ele. Ele sorriu e se sentou do meu lado. Já estava com o cabelo desarrumado e a gravata desatada. Além de duas garotas meio bêbadas ao lado dele. Sentando os três na mesa em que eu estava, não pude deixar de comentar com um tom sarcástico: “Pelo visto você tá se divertindo bastante”.

“Não tem noção do quanto! Casamentos são ótimos. Sabe, todo esse clima de amor, me faz pensar o quanto a vida é um sopro, e que somente temos uma chance de sermos felizes na vida”, disse Schultz, na maior cara de pau para as meninas, “E que temos que aproveitar do jeito que quisermos, sem nos preocuparmos com o que sociedade os outros vão pensar, não é mesmo, meninas?”.

Elas balançavam a cabeça e diziam sim, enquanto uma de cada lado abraçava Schultz e davam beijinhos em seu rosto. Eu via aquilo e realmente não sabia como reagir.

“Ei, Liesl, isso aí é champanhe? Você tem idade pra beber isso?”, perguntou Schultz.

Nessa hora peguei a taça e virei ela de uma vez só.

“Não sei do que está falando, senhor Schultz. Esse copo claramente está vazio”, eu disse, brincando. Eu já estava ficando meio tonta já. Talvez seja por isso que adultos podem beber. Às vezes só com a cara cheia que a gente pode encarar a realidade.

“Rapaz, você é pequena mas pelo visto é forte na bebida!”, disse Schultz, tentando falar no meio de duas mulheres que estavam se esfregando ao mesmo tempo nele, “Porque não vai dançar, menina? Quem sabe você termina a noite bem, tipo eu aqui!”.

“Não é bem isso que eu quero, senhor Schultz”, eu disse, tímida, “Não sei dançar”.

“Ei, mas não tô falando com qualquer um. Eu tô falando de tirar ‘ele’ pra uma dança”, nessa hora Schultz deu uma piscadinha, “Vai lá, coragem! Vai na brincadeira, ele vai cair direitinho!”, disse o senhor Schultz, enquanto se levantava com as mãos na cintura das duas mulheres, “Eu vou ali com elas tomar um ar e já venho. Veja se não vai encher a cara, sim?”.

Eu apenas confirmei com a cabeça e vi o senhor Schultz partindo. “Tomar um ar” era uma expressão que o senhor Schultz usava no lugar de “receber um boquete”. Mais umas duas músicas passaram e eu apenas observava as pessoas. A banda fez uma pausa, disse que voltaria em alguns minutos, aproveitei pra ir pegar algo para comer. Quando me sentei, alguns momentos depois, o coronel Briegel apareceu com uma mulher. Ela era muito parecida com ele, ela loira também, tinha os olhos claros, e ao se aproximar sorriu pra mim. Parecia ser pouca coisa mais nova que o coronel Briegel, e estava com um lindo vestido dourado. Será que ela era uma namorada que eu não conhecia? Eu lembro que a vi na cerimônia na igreja e tudo mais, e via que muitas vezes o coronel ia ficar ao lado dela. Apesar do coração batendo a mil tentei me manter calma.

O coronel Briegel tomou a frente para me apresenta-la.

“Liesl, quero apresentar a Teresa”, disse Briegel, apontando pra ela. A tal Teresa então estendeu a mão para mim, “Minha irmã mais velha, Teresa Briegel. Essa é minha pupila, Liesl Pfeiffer”.

“Irmã?”, eu disse, apertando sua mão, “Nossa, você é linda! Puxa, pensei que você fosse uma namorada, ou algo do tipo do coronel!”.

“Prazer, senhorita Liesl!”, disse Teresa, sorridente, “Olha, vou te contar um segredo: quando meu irmão tinha uns vinte anos e não tinha sorte com as mulheres, eu que fingia ser namorada dele pra chamar a atenção das outras! Esse aí sempre foi uma desgraça com a mulherada!”.

“Ah, vocês sempre colocam minha moral no lixo! O que minha pupila vai pensar de mim agora?”, disse Briegel, dando risada, “Bom, vou deixar vocês duas conversando! Vou pegar algo pra beber”, disse Briegel, indo até a mesa de bebidas. Teresa sentou na mesma mesa que eu estava.

“Ficou lindo esse casamento, não?”, disse Teresa, com uma taça de vinho branco na mão. Ela sentou-se de lado, cruzando as pernas. Ela era realmente alguém muito elegante. Me fazia parecer uma pirralha com o cabelo desgrenhado.

“Sim! Ficou mesmo! A Alice pensou nos mínimos detalhes”, respondi. Mas tinha um assunto que eu devia tocar, “O coronel quase nunca fala da família dele. Eu ouvi falar que tinha muitos irmãos, mas você é a primeira que eu conheço”.

“Ah, o Roland não se dá bem com todos. O pai é um psicopata doente, nunca teve limite pra rigidez dele. Meu irmão sofreu muito nas mãos dele. A irmã mais velha, a Brigitte, é outro demônio em pessoa. Eu sempre fui muito amiga do meu irmão. Acho que de alguma forma ele me tem como uma figura materna, sei lá. E tem dois gêmeos caçulas, que nossa mãe acabou falecendo logo após dar a luz”, explicou Teresa.

“Entendi. Mas o nome da mais velha é Brigitte mesmo? No estilo francês?”, perguntei.

“Sim! Na verdade meu nome não é Teresa, mas como o Roland me chama assim aqui na Alemanha, então ficou assim. Meu nome de batismo mesmo é Thérèse Briegel”, ela disse, e na hora eu fiquei espantada. Tudo parecia se encaixar.

“Nossa, que coincidência! Roland, Brigitte, Thérèse. Todos os nomes são em grafia francesa. Tem um motivo?”, perguntei, curiosa.

“Claro! Nosso pai é alemão, mas nossa falecida mãe era francesa. Ela era de uma família bem nobre da França. Uma pena que nenhum de nós temos o sobrenome chique dela!”, brincou Teresa.

“O coronel Briegel nunca me contou isso! Que ele era meio francês! Ele nem parece, tem todo o jeitão alemão e tal. Se me permite a pergunta, qual era o sobrenome de solteira da sua mãe?”, perguntei.

“Sério que ele nunca contou? Quando ele era criança ele teve muita dificuldade pra falar alemão, ele só falava francês! Todos nós somos fluentes nas duas línguas, isso sem contar o resto que ele aprendeu, claro”, explicou Teresa, sorrindo, “O nome completo de mamãe quando era solteira era Dominique d'Uston de Villeréglan”.

“Que difícil! Vou pedir pra você escrever isso depois, hahaha!”, eu brinquei, e Teresa também riu. Nós duas criamos um elo de amizade quase que instantâneo.

“Francês é difícil, não é mesmo? Mas uma vez que aprende, fica difícil se esquecer. Tenho uns membros da família morando na parte francesa da Suíça, faz um tempo que não conversamos, mas devem estar todos bem. Eles se lembram bem de como era mamãe!”, disse Teresa, com os olhos marejados. Ela estava se lembrando de sua mãe.

“O coronel não se lembra muito, mas pelo visto você tem muitas memórias dela”, eu disse, colocando minha mão sobre a dela, “Se não se sentir bem de falar sobre, não tem problema”. Me lembro que nessa hora Teresa me olhou com o olhar cheio de lágrimas.

“Roland não tem memórias da mamãe. Brigitte é dez anos mais velha que ele, e eu sou apenas um ano mais nova que Brigitte”, disse Teresa. Nessa hora eu fiz as contas de cabeça: se o coronel é de 1895, Brigitte nasceu em 1885 e Teresa 1886, “Parece que perder a mamãe me fez guardar todas as memórias no meu coração, como um tesouro imenso. Um tesouro que me faz manter ela viva dentro do meu coração", Teresa pegou um lenço e limpou uma lágrima que teimava cair.

“Eu sei exatamente como você se sente. Perdi meus pais há pouco tempo”, respondi. Ela ficou espantada, “Eles eram judeus. Foram enviados a campos de concentração”.

Teresa ficou em silêncio. E por um momento ficou me olhando, parada. Acho que ela nunca imaginou que teria na sua frente, no casamento de sua sobrinha, uma judia que estava sobrevivendo aquele inferno que a Alemanha estava se tornando. Fiquei um pouco constrangida, e virei o rosto, tentando desviar o olhar. Mas então ela se ergueu da cadeira e me deu um abraço, emocionada.

“Perder uma mãe já é uma dor imensa. E você perdeu seu pai também, e os dois tiveram um destino triste”, nessa hora Teresa se afastou, e pude ver que seus olhos estavam ainda marejados, “Não consigo achar que minha dor seja maior que a sua. Você é realmente uma pessoa muito forte”.

Eu não sabia o que responder. Eu não me achava tão forte. Infelizmente essa coisa aconteceu na minha vida e eu tinha que seguir em frente mesmo assim. Se eu fosse morrer amanhã ou depois, pouco me importava. Até seria bom, de certa maneira. Se reencarnação existisse, seria uma nova chance. Mas Teresa era realmente uma ótima pessoa. Em meia hora de conversa parecíamos amigas há anos, mesmo com a diferença de idade. Teresa era jovial, parecia realmente mais nova que o coronel, linda, educada, polida. Tanto quanto Alice é. É um desses exemplos que eu queria seguir e me tornar quando adulta.

“Tia Teresa! Eu nem te cumprimentei ainda!”, disse Alice, se aproximando depois de mais uma dança. Ao seu lado estava Max, já sem o paletó e a gravata torta, “Estou muito, realmente muito feliz que você veio!”, nessa hora ela deu um beijinho na bochecha da tia, que sorriu ao sentir o carinho de Alice.

“E eu ia perder o casamento da minha sobrinha favorita?”, brincou Teresa, “Senta aí vocês dois! Descansem um pouco!”.

Alice e Max pareciam dois pombinhos! Os dois carinhosos um com o outro, grudados, trocando beijinhos. Pareciam realmente um casal que se amava muito. Alice se sentou entre eu e Teresa, e Max puxou uma cadeira e ficou abraçado com ela de costas, na altura dos ombros dela. Enquanto eu e Teresa batíamos papo, os dois ficavam trocando sussurros, carícias, e olhando para todas as outras pessoas na festa.

“Querido! Olha só quem está ali perto do bolo!”, disse Alice, apontando com a cabeça. Eu consegui ouvir e olhei para onde ela estava apontando. Não tinha a mínima ideia de quem era, “É o Heiner! A gente namorou um tempo atrás. Como ele é o costureiro do vestido, convidei ele pra vir hoje!”.

Max viu o tal Heiner e deu risada. Tanto eu quanto Teresa ficamos em silêncio aguardando o que ele iria dizer.

“Puxa, ele é bonitão! Ainda bem que vocês terminaram. Se você estivesse casada com ele, você seria esposa do costureiro”, brincou Max, mas Alice virou o rosto arqueando as sobrancelhas de forma irônica enquanto olhava para Max:

“Nada disso. Se eu estivesse ainda com ele, seria ele que seria o maior empresário de toda a Alemanha”, disse Alice, como se ela estivesse prevendo o futuro. Coincidência ou não, depois que os dois se casaram Max teve uma ascensão meteórica. Em semanas já estava figurando entre as listas dos empresários mais bem sucedidos em pouco tempo da Alemanha, e em meses já era um dos homens mais ricos da Europa.

Talvez muitos diriam que Max teve sorte. Ou que ele trabalhou duro para conquistar tudo o que plantou. Mas eu, que vi ele sair de um mero desempregado, casando sem um tostão no bolso e menos ainda um emprego, se tornando em pouco tempo um dos maiores empresários da Europa, só tenho mesmo que dar os méritos à Alice. Ela é o tipo de mulher que incentivaria o que há de melhor no seu companheiro, e não importasse com quem casasse. O que importava era ter alguém como Alice do lado. Alice é a mulher que levaria qualquer homem ao topo do mundo. Uma pena que nasceu numa época tão conturbada da humanidade. Não tenho dúvidas que ela brilharia ainda mais em épocas de paz.

A hora foi avançando e muitas pessoas já estavam indo embora. O senhor Schultz já estava beijando a décima terceira da noite, Teresa, Max e Alice estavam em altos papos do meu lado, e cada vez mais haviam menos pessoas naquele pequeno salão naquele lugar longe de tudo. Era possível ver um lago no fundo do salão, do outro lado desse lago já era a Suíça.

“A senhorita pode me dar a honra da próxima dança?”.

Na hora que virei tomei um susto! Era o coronel Briegel! Ele havia estendido sua mão e estava sorrindo. Apesar de já ter passado muito tempo da festa, ele estava do mesmo jeito que havia chegado.

“Ah, coronel, eu não sei dançar, me desculpa!”, eu respondi, vermelha da cabeça aos pés. Me levantei da mesa e tentei fugir de lá, mas o coronel insistia:

“Eu também sou horrível na dança! Mas olha, um monte de gente foi embora, a gente pode pagar esse mico juntos!”, e novamente o coronel usou aquele sorriso encantador dele. O sorriso que eu nunca conseguiria negar um pedido, “Eu prometo que não vou pisar dos seus pés”, e novamente ele me estendeu a mão.

E o que eu fiz? Dei minha mão a ele. Rapidamente nos colocamos em posição de dança, ele esticou o braço e tocou minha cintura com a outra mão. Meu coração disparou na hora, e eu nem lembrei de colocar minha mão no ombro dele!

“Vem cá, coloca essa mão aqui em cima”, disse Briegel, colocando minha mão no seu ombro, “Agora vai ficar mais fácil. Vamos apenas nos deixar levar pela música, sim?”, e a música começou. Bem lenta e aos poucos foi tomando velocidade, enquanto Briegel me conduzia pelo salão, “Não fica nervosa, pode pisar no meu pé que eu aguento!”.

Eu flutuava no ar. E me sentia bem. Esta noite eu serei a mais bela para ir dançar. Para melhor expulsar essas que você amou. Esta noite eu serei a mais tenra, quando me disser, todas as palavras que quero ouvir, murmuradas por ti.

Briegel era cheiroso. E eu, perdida em meus pensamentos, coloquei minha cabeça no seu peito. Acho que nunca havíamos estado tão próximos. Talvez pra ele isso era apenas uma brincadeira, dançar junto de uma adolescente, como se não fosse nada sério. Mas para mim isso tudo era a realização de um sonho.

E naquela noite, sendo levada pelo coronel pela pista de dança, eu vi que eu não queria mais sonhar que estávamos juntos e acordar sozinha sem ele. Queria viver ao lado dele uma realidade, um amor, e a noite dormir em paz, sabendo que pela manhã ele estará ao meu lado, e não mais precisaria de sonhos para tocá-lo, acaricia-lo, e viver ao lado dele a realidade que eu tanto sonhei. E eu lutaria com todas as minhas forças para tornar isso uma realidade. Mesmo que tivéssemos que viver um amor no meio de uma guerra.

Eu não conseguia fazer nada a não ser sorrir. Minha vida depois da morte da Maggie teria sido um inferno se eu não tivesse tido tanta sorte. É verdade que teve muita luta, muito trabalho e a saudade de toda minha família é algo que dói no mínimo uma vez, todo santo dia. Mas o destino me colocou Alice, senhor Schultz e o coronel Briegel na minha frente, e eu sou extremamente grata a isso.

Debaixo daquela lua azul eu sorria, embalada pela dança ao lado do homem que eu mais amava. Provavelmente as pessoas ao redor viam apenas um velho dançando com uma adolescente sem compromisso, passos atrapalhados, meio duros. Mas pra mim aquela era a dança da minha vida. Era a dança que eu iria lutar para que se repetisse mais e mais vezes, por toda minha vida.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

White Nights (2016)


Eu nunca havia assistido a uma novela coreana. Achei no Netflix o White Nights (불야성), que embora tenha ido ao ar na emissora coreana MBC, a Netflix adicionou ao seu catálogo posteriormente.

A história se baseia na vida de três protagonistas: Seo Yi-kyung, uma empresária filha da puta que não vê limites pra sua ganância e quer chegar no topo de tudo, Lee Se-jin, uma pobretona que topa virar aprendiz da Yi-kyung pra subir na vida (mesmo que isso inclua ser usada por ela pros trambiques), e Park Gun-woo, um empresário viadinho todo certinho que está prestes a herdar a empresa da sua família e tem um rolo no passado com a Yi-kyung.

K-drama versus novela brasileira
Eu nunca achei que teriam atores de tão boa qualidade assim. Atores e atrizes coreanos são fora da média, são realmente excelentes no que fazem. O maior exemplo é que apenas pelo olhar você sabe exatamente o que se passa na cabeça deles.


Novelas brasileiras sempre que o personagem tá sozinho ele fica pensando alto (ou falando sozinho, coisa de doido!), virado pra câmera, tipo aquelas cenas da Usurpadora, ou em qualquer novela das oito da Globo. Eu sempre achei ridículo, mas nunca acharam uma maneira que não fosse mais ridícula do que uma voz com eco vindo da cabeça do personagem enquanto ele está de boca fechada pra simbolizar "pensamento".

Não existe nenhuma dessas coisas em novela coreana, mas existe uma coisa que não existe nas novelas brasileiras: o olhar.


Os olhares falam tudo. E eles são incrivelmente expressivos apenas com um olhar! Por isso que eu digo que são atores e atrizes do caralho. As novelas brasileiras tem que ser muito óbvias, é raro ver esse jogo de olhares. Especialmente em White Nights essa coisa existe pra caramba e é muito bom.

Existe uma coisa chata que achei é que são muitos provérbios. Acho que isso é muito coisa de asiáticos, que usam provérbios pra exemplificar algo que vai acontecer, enfim. Acho isso muito estranho pra gente que é ocidental. São poucas vezes, mas quando aparece, nossa, meio estranho pra quem não está acostumado.

E os nomes também é difícil de pegar logo de cara. Nomes coreanos são tão difíceis quanto chineses. Acho que japonês nem tanto porque eu tô acostumado, vivo no meio deles, hehe. Mas depois de alguns episódios a gente se acostuma também.

A trilha sonora é incrível
Eu adorei a trilha sonora! Não tem nenhuma música famosa, mas foi muito bem composta! São umas músicas mais na pegada New Age, lembram muito as músicas da Enya (que eu adoro). Uma das que mais tocam na série é justamente o tema da abertura:


Isso sem contar as outras ótimas músicas da OST, que tem nesse link. Eu já disse que pra eu considerar uma série/filme bons, 80% é a trilha sonora na minha opinião, e White Nights ganhou nota dez nesse quesito apenas considerando sua ótima trilha sonora.

Se-jin, a pobretona em ascensão social
Agora quero falar das personagens. Quando eu vi a U-ie, essa atriz que faz a Se-jin, já me atraiu porque ela é bem gatinha! Acho que é a personagem que mais cresce durante a série, pois ela começa uma pobretona que faz vários bicos para viver (e você achando que a vida na Coréia do Sul era fácil!), e que sonha, ao menos no começo, em ser alguém como a super milionária e fudida Seo Yi-Kyung que ela conheceu numa festa enquanto ganhava uns trocados pra fingir ser namorada de um moleque rico (isso não é meio prostituição?).


Mas como eu disse ela é de longe a personagem que mais evolui na história. Enquanto ela tá sendo "treinada" pela Yi-kyung, para se ter ganância e saber administrar e gerar dinheiro, ela começa a fazer brotar um imenso afeto, até mesmo protetor, para com a senhora Seo. Talvez esse seja o estágio dois da evolução dela.

O estágio final é que para proteger sua chefe da sua própria ganância, ela não vê outra opção a não ser usar tudo o que aprendeu contra ela. Se-jin, que mal tinha grana pra se sustentar, vira um verdadeiro coringa nas mãos, a ponto de chegar dela ter nas mãos a chance de mudar o destino de todos.

Acho que por ela ser pobre ela tem essa questão de uma ética bem forte. Coisa que falta da Yi-kyung e em diversos momentos. E até no próprio Gun-woo.

Gun-woo, o rebelde trapalhão
Park Gun-woo começa vendo seu pai, líder do grande grupo Moojin, sendo preso logo no primeiro episódio, por corrupção, lavagem de dinheiro, etc. Só que ao invés dele ser o herdeiro da empresa do pai, vê seu tio tomar seu lugar. Só que ele percebe que tudo o que acontece ao seu redor tem apenas uma causa: Seo Yi-kyung, que quer manipular todas as empresas, e até o país, se colocando no lugar mais alto de todos.


Mas Gun-woo, que começa como um rapaz super bonzinho, é revelado que ele e a Yi-kyung tiveram um rolo no passado. E em diversos pontos dá a entender que ele ainda sente algo por ela (mas infelizmente não tem nenhum romance nesse seriado). Mas como a Yi-kyung tem uma ganância sem limites, ela quer controlar tudo, empresas, governos, tudo. Isso inclui o grupo Moojin, da família do Gun-woo.

O que mais fode é que ele é super inocente. Acha que talvez a Yi-kyung não mudou nada da época de adolescente, e isso só faz ele se dar mal mais e mais. Uma das cenas mais chocantes é quando a Yi-kyung revela uns segredos pro pai do Gun-woo, que é cardíaco, e o velho quase bate as botas tendo um ataque do coração. É nesse capítulo que a Se-jin vê que a Yi-kyung foi longe demais e resolve se juntar ao Gun-woo para impedi-la a todo custo de continuar com seus planos.


Não dá certo de início. Na verdade passa diversos episódios, por mais que eles achem algo para incriminar a Yi-kyung, ela sempre está um passo à frente (chega a dar raiva!). Mas o que caga mesmo é que o Gun-woo, parece que cansado de ser inocente, vira realmente um cara malvado perto do final. Deixando sua ética e valores de lado, tudo para derrubar a Yi-kyung. Poxa, isso é errado, menino!

Aí não tem jeito. E, ironicamente, é nesse momento que a Se-jin deixa de ficar ao lado do Gun-woo e vai pro lado da Yi-kyung de volta. Ela é meio que a juiz da coisa toda!

Seo Yi-kyung, a que ninguém entende o que quer
No começo essa fixação que ela tem pela Se-jin, parece um amor lésbico discreto. Mas não é preciso muitos episódios para entender o que se passa. Essa mulher simplesmente não tem coração, e a atuação dela é tão boa, que não fica nenhum negócio artificial, muito pelo contrário! Parece tão autêntico que depois fui procurar imagens da Lee Yo-won, a atriz, e ela é super sorridente, é casada e tem até um lindo filhinho.

Não parece a desalmada do seriado. Tirem o Oscar do DiCaprio e deem para essa mulher!


Eu nunca vi uma protagonista tão completa. A gente começa curioso, depois começa a odiar ela. Sente pena do passado do pai rígido e sem escrúpulos, fica assustado pelo monstro que ela se tornou, e indignado por ela ser imbatível em absolutamente tudo. Todo raio de coisa que tentam tramar contra ela, parece que ela sempre tá um passo à frente, exatamente como ela diz estar!

É muito legal a noção de dinheiro que ela tem. Que meio que a gente não pode ter dó de gastar dinheiro, pois dinheiro bem gastado é melhor que um dinheiro gastado com uma obrigação. Essa é a missão que ela tá pra Se-jin logo no começo do seriado, dando um cheque imenso pra ela gastar em coisas pra ela, e depois a obrigando a devolver o dinheiro, não importasse os métodos para consegui-lo. Seja enganando, roubando, matando, ou o que a criatividade permitir.

(ninguém pensou em prostituição?)


É muito legal o jeito que ela manipula outros grandes empresários. Desde o começo a Yi-kyung diz que o objetivo dela é estar no topo de todos os empresários da Coréia do Sul, para "ver as luzes da cidade do ponto mais alto". E durante o seriado obviamente ela tem rivais (foto acima).

Mas é incrível que ela manipula tanto que ela põe o diretor que ela quer na hora que bem entende, derruba até candidaturas pra presidente da Coréia que não vão de encontro com suas ordens, e mesmo quando existe uma represália contra ela, ela sempre tem tudo na mão, pois ela também tem seus assistentes. Ela é a mais overpower do universo, e chega um momento que ironicamente a única que pode parar ela é de fato a Se-jin, mesmo que, sei lá, acho que ela tenha dito pra dar impressão pra Se-jin de que ela poderia superar a mestra dela, mas no final das contas por vários episódios ela fica rodando igual barata tonta sem conseguir fazer nada concreto...

Para ser um bom empresário, deve ter bons funcionários!
Todo empresário coreano tem um braço direito. O pai do Gun-woo tinha o seu tio, que puxa o tapete e toma seu lugar. Outros empresários também tem seus assistentes, que sempre estão lá pra ajudar o chefinho, por questão de honra, familiares, etc.

A Yi-kyung tem também! Talvez seja por isso que ela seja imbatível, ela tem três assistentes, isso sem contar a Se-jin, que do meio da temporada pra frente sai do time. Ainda assim são os melhores. Achei essa foto de bastidores com todos juntos:


Muito bem, vamos dar nomes aos bois. Da esquerda pra direita:

Primeiro a gente tem o senhor Jo, que servia desde a época do pai da Yi-kyung, ele é o que não desgruda e faz tudo o que a Yi-kyung manda, é o mais fiel e também o mais maduro do grupo. É tipo o paizão dos outros também.

Depois a Yi-kyung, mas pula ela.

A terceira pessoa da esquerda pra direita é a Kim, que não revela seu nome real, pois ela é uma super hacker (SEMPRE TEM QUE TER UM SUPER HACKER NESSES SERIADOS HOJE EM DIA, AHHHHHHHH), e ela é bem bobinha, mas incrivelmente inteligente. E tem umas orelhas de abano que dão dó (não era a Coréia do Sul o país que mais fazem cirurgias plásticas?).

E esse moleque no canto direito é o Taka (ou Tak, como é escrito o nome dele). Ele é o guarda-costas da Yi-kyung, é o cara das artes marciais, que desce o couro em todos que estão na frente. Eu pensei que rolaria algo entre ele e a Se-jin, mas ninguém se pega nesse seriado, é um saco essa parte.



Bom, enfim, seriado muito completo, história cativante, trilha sonora espetacular, atuações muito boas e fotografia impecável. Curioso ver esse lado da Coréia do Sul, justo perto da época em que teve toda aquela denúncia que levou o impeachment da Park Geun-hye.

Não tenho nenhuma nota, exceto 10! Imperdível!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Amber #88 - Cinco que valem por cinquenta.

9 de novembro de 1939
15h58

“Faz tempo que o Schultz está por aqui?”, perguntou Ho, enquanto caminhava com Chou no átrio do casarão, “Aprendeu chinês, treinou você, a Li, eu e o meu esposo, e não duvido que também trocou conhecimentos com a Gongzhu”.

“Parecem anos, né? Mas são apenas algumas semanas”, disse Chou, feliz por conta de tantas risadas que deu com o novo amigo, “Em geral o que achou dele?”.

“O método dele é totalmente diferente da Gongzhu. Porém, um princípio achei muito similar ao da Gongzhu: usar técnicas de Inteligência e espionagem de uma maneira mais racional. Eu sempre quis ver alguém demonstrando técnicas usando mais a emoção, dedução, introspecção. Mas vendo que tanto o Schultz quanto a Gongzhu possuem a mesma linha de pensamento e ação, fica ainda mais difícil imaginar algo que fuja disso”, disse Ho.

“Exato. Eu senti e mesma coisa”, disse Chou, mas logo manteve-se em silêncio alguns segundos antes de mudar de assunto, “Escuta, a Gongzhu parece bem apreensiva desde que vocês chegaram com a notícia do Huang”.

“Eu senti isso também. Ver a Gongzhu assim me mata do coração. Nessas horas eu vejo como ela é realmente muito importante para o grupo”, disse Ho, triste.

“Ela se preocupa muito. E fica com essa ideia de culpa na cabeça, mas ela não teve culpa alguma”, disse Chou, “Mas hoje pelo menos o treinamento acaba. A partir de amanhã é uma imensa incógnita. Tudo vai de acordo com o que a Gongzhu decidir hoje”.

Chou e Ho continuaram caminhando um pouco em silêncio, e passaram embaixo da janela do escritório de Tsai, que dali mesmo esta ao ver Chou e Ho pediu algo para elas.

“Chou, Ho! Preciso de um favor de vocês duas, por gentileza”, disse a Gongzhu do topo do local, “Ho, preciso que você vá checar o depósito de munições no subterrâneo ajudar o seu marido lá. Chou, você pode trazer o Schultz aqui na minha sala, por gentileza?”.

“Sim, pode deixar, Gongzhu!”, disseram as duas, em uníssono. Tsai confirmou com a cabeça e voltou para dentro. As duas então se olharam, especialmente Chou, com uma cara confusa.

“Bom, eu vou atrás do Schultz. Você tem ideia de onde ele foi parar?”, perguntou Chou.

“Eu vi ele indo em direção daquela cachoeira a leste daqui”, disse Ho, coçando a cabeça e olhando pra cima, “Eu vi a Li indo naquela direção também uns minutos antes. Mas acho difícil terem ido até a cachoeira. Nesse frio ainda?”, na hora que Ho disse, Chou confirmou com a cabeça e deu alguns passos em direção da saída.

“Puxa, espero que o senhor Schultz não esteja longe. O que será que ele foi fazer atrás da Li?”, disse Chou, pensando alto. Mas logo ela balançou a cabeça e tomou o caminho.

No caminho Chou encontrava sempre moradores locais, e todos eles apontavam o caminho de onde tinham visto Schultz. Mas o que mais a deixou intrigada foi que todas as pessoas que apontavam o caminho, diziam que a Li havia passado momentos antes pelo mesmo local que Schultz passara.

Depois de onze minutos de caminhada, Chou pôde ouvir o barulho da cachoeira. Nem ela acreditava que de fato Schultz estava indo nessa direção. Ao se aproximar começou a ouvir uns barulhos, ainda pouco nítidos. Sacou sua arma e avançou mais uns passos. Eram barulhos que pareciam palmas, mas mais graves, como se batesse num saco de carne. Mais alguns passos viu que os sons dos golpes ficavam mais e mais nítidos, e era possível ouvir uns pequenos gritos.

Minha nossa, tem uma mulher levando esses golpes?, pensou Chou enquanto se aproximava.

Os gritos continuavam, pareciam contidos, e tinham um tom peculiar. As batidas começaram a ficar menos frenéticas, e a apenas alguns metros da fonte do som ouviu um urro masculino. Era a voz de Schultz. Chou subiu numa pedra pra observar de cima. E quando viu, tomou um imenso susto.

“Ah, nossa... Tava meio apertada, mas foi bom! Agora no final tava uma delícia!”, disse Schultz, completamente nu, suado e o pênis meio endurecido. Li estava também nua, havia tirado os braços que estavam apoiados nas rochas, e tinha passado os dedos em sua vagina, tirando algo grudento e branco de lá.

“Ai, não acredito, você gozou dentro!”, disse Li, dando um empurrão em Schultz, “Eu disse pra não gozar dentro, cara! E agora? Tem certeza que você é estéril?”, nessa hora ela, também completamente pelada, tirou com o dedo dentro da sua vagina um pouco da ejaculação de Schultz.

“Cem porcento, filhinha! Senão eu já teria uma renca de filhos aí. Esse gozo aí não engravida nem se jorrasse um litro disso. Fica tranquila!”, disse Schultz, indo até o lago da cachoeira, “Será que essa água tá mesmo gelada como você disse?”.

Li do outro lado estava colocando sua roupa de volta. Schultz nesse momento deu um mergulho no lago, emergindo depois de um instante.

“Tá sim. Mas dá pra dar um mergulho. No verão que é uma delícia”, disse Li, terminando de colocar suas roupas, “Eu vou voltar agora. Pode ser que se perguntem onde estávamos. Espera um pouco antes de voltar, sim? Pra não dar muito na cara que a gente estava junto”.

“Beleza! Falou!”, disse Schultz, indo até a margem do lago da cachoeira.

Logo após de terminar sua fala, Li subiu pelo lado oposto de onde Chou estava e foi embora. Era essa a hora de se aproximar sem fazer contato com Li.

“Schultz, eu não acredito! Você tava comendo a Li! Você não presta mesmo! Vocês estão juntos? Tem alguma coisa rolando?”, perguntou Chou. Schultz ao ver ela ali se assustou, escorregando na água.

“Que susto, Chou, sua louca!”, disse Schultz, se levantando, ainda completamente nu, “Rapaz, essa água tá realmente um gelo! Deixa eu colocar minha roupa”.

“Não fuja do meu assunto! Eu vi tudo, Schultz! Até gozou dentro dela!”, disse Chou, furiosa, “E se ela engravidar? No mínimo use camisinha, ou goze fora!”, e ela, ainda furiosa, parou um segundo antes de dizer a última frase indignada, “Ou melhor: não transe com suas companheiras de pelotão!”.

“Ei, eu não menti quando disse que sou estéril. Eu fiz vasectomia. Deus me livre ficar trepando por aí com medo de alguma menina engravidar! Melhor manter o prazer, sem o medo da responsabilidade!”, disse Schultz, colocando suas roupas.

“Mas vocês estavam fazendo sexo... Eu vi! Existe algo entre vocês?”, disse Chou, expondo seu outro ponto de preocupação.

“Ah, isso foi nada! Não tem nenhum sentimento entre a gente. A gente só queria fazer ‘aquilo’, ela disse que tem meses que não trepava. Cara, tava muito apertada, até entrar legal demorou um pouquinho. Mas foi como, sei lá, jogar tênis. Sem compromisso. Do jeito que sempre deveria ser!”, brincou Schultz, terminando de abotoar sua camisa.

“Nossa, assim eu fico mais tranquila. Ou não, sei lá. Vocês estavam transando, nossa!”, disse Chou, jogando a jaqueta para Schultz.

“Pega nada isso, Chou, relaxa! Todo mundo tá trepando por aí. Você que é inocente, hahaha!”, brincou Schultz, colocando sua blusa, “Você é que devia dar uma trepadinha pra relaxar!”, Schultz nessa hora deu um tapinha na bunda dela, “O que eu me espantei é você ter essa pegada mais voyeur! Sua taradinha! Eu nunca duvidei que debaixo dessa cara séria você era bem safada! Você gosta de espiar os outros transando!”.

“Cala a boca, idiota! Eu vim atrás de você pra dar um recado. A Gongzhu está atrás de você!”, disse Chou, braba, “Anda logo que ela tá te esperando!”.

“Poxa, a princesa ainda tá com aquela cara?”, perguntou Schultz, enquanto calçava seus sapatos, “Desde que o casal ali chegou ela tá assim. Parece que nem dorme direito. Deve estar muito preocupada, por sinal”.

“Bom, recado está dado. Eu preciso ir nessa”, disse Chou, indo embora. Mas antes ela se virou uma última vez para Schultz, “Se você engravidar a Li, vou arrancar esse seu pinto fora, você vai ver só!”.

“Hahahah! Relaxa, Chou! De mim pode ter certeza que ninguém vai sair barriguda daqui a nove meses!”, brincou Schultz, antes de Chou sair. Ele se apressou para ir encontrar Tsai, rapidamente passou por todo o caminho de volta e voltou ao casarão, subindo no andar de cima. Ao bater duas vezes na porta de Tsai ela o mandou entrar.

Tsai estava em pé, dando voltas na sala. Estava com a mão no queixo, pensante, olhando pra baixo. Parecia estar no meio de um imenso dilema.

“Fala aí, princesa!”, disse Schultz, entrando na sala, “Em que eu posso te ajud...”.

“Schultz, preciso que você me ajude em um dilema que eu tenho que resolver aqui”, disse Tsai, indo até sua mesa, “E preciso que você me ajude a tomar uma decisão, uma vez que você não está tão envolvido emocionante com nenhum dos lados. Por favor, sente-se”.

Schultz então sem dizer nada puxou a cadeira e se sentou de frente para a Gongzhu.

“As opções que tenho que decidir são três. A primeira é achar Chou Xuefeng em Nanquim, e te ajudar com mais informações sobre esses monstros que ele captou na sua câmera. A segunda opção é levar Eunmi até a Coréia, o que é um perigo imenso, pois está no meio do território japonês”, disse Tsai.

“Na verdade a Coréia é uma nação separada do Japão. Eles apenas dominaram, sabe...”, disse Schultz, que não seguiu em frente, pois Tsai o estava encarando, como se seus olhos dissessem que era óbvio que ela sabia daquilo, “Ok! Desculpa, hehehe!”.

“E a terceira opção é sobre Huang. Mas esse a gente sabe quase nada. Apenas que ele sumiu, e provavelmente está nas mãos dos japoneses. Possivelmente está sendo torturado, ou até mesmo executado”, disse Tsai, com uma cara que expressava preocupação com raiva.

“Acha que não estamos seguros aqui?”, perguntou Schultz.

“Eu não ligo para a nossa segurança. Se Huang for torturado, ele pode revelar o que for, até o tamanho do meu pé e quanto eu visto. Nós sabemos nos defender. O problema é exatamente ele, membro do meu pelotão, sendo torturado por sabe lá deus quem. Isso sim é algo que me preocupa”, disse Tsai, apreensiva. Schultz pôde sentir o quanto ela realmente se preocupava com seus companheiros.

“Nossa, você realmente tá tensa”, disse Schultz. Nessa hora ele olhou para Tsai. Os olhos dos dois ficaram parados se encarando por alguns momentos. Mas aquele contato todo parecia fazer o mundo ao redor ficar em silêncio, fora de qualquer conexão, flutuando no espaço. De fato aquele momento durou alguns segundos. Mas pareciam horas. Depois desse tempo Schultz e Tsai quase que no mesmo momento balançaram suas cabeças, cortando o transe, “Bom, como eu disse, você parece realmente tensa, e é difícil tomar uma decisão sensata num momento desses, então eu acho que talvez deveríamos...”.

“Gongzhu!”, disse Ho entrando do nada na sua sala, “Me desculpa interromper, mas a Li disse que viu algo lá em cima! Parece ser japoneses se aproximando!”.

“Minha nossa! Vamos até onde ela está agora, traga a Eunmi!”, ordenou Tsai, indo na frente.

Alguns momentos depois todos estavam reunidos perto de Li, que observava tudo por seu binóculo.

“Devem ser uns cinquenta. Estão subindo, mas a maioria parece vir na entrada norte do casarão, mas estão todos espalhados em todas as direções, Gongzhu”, disse Li, explicando a situação para Tsai, que ao olhar pelo binóculo viu exatamente o que Li estava dizendo, “Qual o plano de ação, Gongzhu?”.

Por um momento Tsai ficou em silêncio com seus pensamentos. Mas em breve retomou, e seus olhos pareciam em chamas, cheios de determinação e empolgação. Olhou para todos seus companheiros e depois para Eunmi e Schultz.

“Schultz, Eunmi, vocês serão apenas os expectadores”, disse Tsai, esbanjando empolgação em sua fala, “Hoje vocês vão ver como um pelotão bem treinado de apenas cinco pessoas valem mais do que cinquenta do outro lado”.

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